terça-feira, 5 de maio de 2020

Poema da Quarentena

DEDICADO À TODOS QUE SE FORAM DURANTE A PANDEMIA.
Em especial FLAVIO MIGLIACIO & ALDIR BLANC

Grita a mãe:
Menino, entra!
Saia desse vento,
Não pega essa ventania,
Isso é chuva que tá vindo!
Já não conhece a mudança de tempo?

E o menino,
De hábitos vespertinos
Não entrou...

De capa
No quintal lutava contra o nada...

Pronto a chuva chegou
E o temporal o lavou...

Entrar só resolveu,
Quando o raio lhe partiu o céu,
Assim, chorando, não ficou
Pra ver o segundo risco do Papai do céu...

Em disparada,
Deixou rastros molhados
Pelos caminhos da casa
Com sua ensopada capa...

E correu na direção
De quem molhado lhe acolheu,
E da maneira que o menino
Estivesse, lhe acolheria...

Encharcado chegou aos braços da avó
Essa,
Lhe deu o abraço de boas vindas,
E começou a secá-lo,
Com muito carinho e muita dó...

O tempo levou essa cena
A mudança dos ventos
Trouxe a quarentena

De manhã,
O menino crescido já não pode mais
Assistir o Xerife e o Shazam
Agora ele com dó
Mantém a distância e protege a avó

Separados por cômodos da casa
Ouvem a ventania
Parece um  zunido som,
Um samba de uma nota só...

E não a música rica
Com letra e melodia
Escrita por quem não pode sair
Por conta da tal de pandemia
É  música do Blanc, o Aldir...

E tudo por conta desse vento forte
Que a cada esquina,
Mata homens, Mulheres, meninos e meninas
Em todo o país, Sul e Norte...

E nos faz chorar de desmanchar os cílios
É esse vento forte que veio da China
Dá se o nome de Corona Vírus...
                                                     Junior Moreira

Ouvindo Moska


Me esbaldando
Aos acordes do Paulinho
Não tem como não pensar em você
Curtindo cada música,
Do meu jeito, aqui sozinho...

Claro que cada música me faz viajar
Claro que cada som me faz em ti pensar
Sim, nessa horas,
A gente faz promessas de sempre amar
Mas...
Mesmo que você vá embora
Essa promessa eu posso guardar...

Ouvindo Moska
Me remeto a você
Ouvindo o Paulinho
Me remeto ao seu jeitinho,
A esse beijo doce,
Música me remete a você,
Doce lembrança...
                                                    Junior Moreira

Duas e Meia

O sono se levanta
E me deixar a pensar na cama
A madrugada diz que são duas e meia
Nada na minha cabeça se ajeita...

O pensamento em você,
As lembranças exalam você,
O ar só respira você...

 O momento é agora
 E que momento mágico
 Me volto a hora,
 E já não são duas e meia,
 Lembro das alegrias e dos carinhos
 E lembro que conseguimos rir
 Até do que é trágico...

Já se foram as duas e meia
E você ainda me passeia
Insônia é a companhia do escritor
Inspiração é a magia do amor...

Preciso voltar.
Voltar a dormir.
Pois sonhar já faço acordado.
Parte da madrugada vi passar
Enquanto em ti meu pensamento vagueia
Preciso voltar.
Darei  pausa no meu sonho:
Você.
Pra continuar meu sono
Preciso voltar.
Agora já são três e meia...
                                             Junior Moreira

Esse encontro


Esse encontro é mágico
Me faz viajar,
Me tira do trágico
Esse encontro me faz amar...

É com esse encontro
Que me acho, me encontro
Nele descrevo o meu pranto
Nesse encontro me aquieto num canto....

Esse encontro consola minha solidão,
Nele transcrevo a razão do pulsar
O encontro inspira meu coração...

Nesse encontro fico a vontade
Essas rimas que saem de minha mão
Se instalam no papel,
Com o bailar da caneta
Transformando em letras,
Versos que vêm do coração...
                                               Junior Moreira

Deixei minha mão escrever esse amor...


Quando me dei conta
Você já estava lá.
Chegou sem avisar,
Entrou sem pedir...

Subitamente se instalou,
E, apenas por educação,
Com um sorriso cumprimentou
Fez de hospedagem o meu coração...

Tomou conta do meu pensar,
Se apossou do meu infinito particular
Deixei minhas veias esse amor pulsar
Deixei minhas mãos esse amor escrever,
Deixei você, linda, tomar conta do meu viver...
                                                                            Junior Moreira

04:53

Ao Mestre Ferreira Gullar:

Uma parte de mim renasce diante dessa flor,
Outra parte, não
Uma parte de mim sorrir diante desse amor,
Outra parte, não
Uma parte de mim brilha
Outra parte, se ofusca
Uma parte de mim quer escrever
Outra parte, quer chorar
Uma parte de mim é Ferreira Gullar
Outra parte, quer só fotografar
Uma parte de mim é o sol e a lua
Outra parte tem o cheiro da chuva

Uma parte de mim é alegre por esse amor
Outra parte é melancolia
Uma parte de mim escreve madrugada
Até nascer o dia
Outra parte, sonha com esse amor...

Uma parte de mim vive esse amor
E pensa: que sorte!
Outra parte, escreve essa dor,
E acena pra morte...

Inspirado no poema TRADUZIR-SE de Ferreira Gullar.
Obrigado Mestre!
                                                                          Junior Moreira

A tal felicidade...


Descobri que é possível viver sem a felicidade
Descobri que é possível sorri sem a felicidade
Descobri que é possível viver realizações
Sem a tal felicidade
Descobri que é possível viver e morrer sem ter conhecido a felicidade e tal
E assim como um serviçal
Tentei oferecer a outros a felicidade
Pra chegar nessa idade
E descobrir que não pensei em mim
Na hora de oferecer a felicidade
E agora?
A vida passou.
Pobre de mim.
Mas eu ainda tento
Não sei se consigo
Mas enquanto respiro
Eu tento!

Ah! tal felicidade...
                                 Junior Moreira

Alma simples


De olhar penetrante,
Sem perder o charme
Mulher que chama a atenção
Com sua presença impactante,
Com um sorriso cativante...

De olhar fuzilante,
Mas com bastante conteúdo,
Uma mulher interessante...

Mulher,
Com seu estilo,
Um belo conjunto elegante,
Alma simples,
Jeito fino,
Grande mulher,
Que valoriza o feminino
 E envaidece o masculino...
                                               Junior Moreira

O Quarto


É Madrugada
As paredes do quarto em silêncio,
Me observam.
Somente o ventilador,
Com suas pás, cortam o silêncio.
Ventilam em mim
 Idéias do que refletem sobre mim...

Nessa minha metade de século
Vivo o silêncio,
Observo-me.
Nesse quarto,
Avalio esse dois quartos de século...

Refaço idéias já construídas
Revejo minha estrada já percorrida
Recalculo
Os caminhos da minha vida...

Madrugada
As paredes em silêncio
Ouvem o ventilador
A ventilar minha mente...

No quarto
As paredes me confinam
O ventilador com suas pás
Me silenciam
A madrugada me adormece...
                                                 Junior Moreira

Dia do Trabalho/Dia do PL

Navegar é preciso
Mas sem o Paioleiro é improvável
Não se flutua sem abastecer.
Sem uma ou outra especialidade,
Dá pra navegar...

É o que é o trabalho,
Se não essas atividades invisíveis?
Se não essa multiPLicidade de funções?
Navegar é preciso
Mas sem o PL é improvável

Não se flutua sem sobressalentes
Não se combate sem munições
Não dá pra sair sem o óleo
E a fome?
Como combater sem alimentos
É, não se combate sem abastecimento
É preciso alimentar,
Canhões e soldados,
É preciso a embarcação embandeirar,
Nada pode faltar!

O Navio  precisa se equipar,
Mas sem esquecer do patrimônio,
Registrar,   etiquetar e controlar...

Na verdade,
Essa especialidade
É um mar de funções e atividades
Que permite a Instituição seus
planejamentos
Através do silencioso abastecimento

Depois de pronto e abastecido,
O Navio, Teatro de Operações,
Está  pronto para suas missões
Num mar imenso,
De futuro e destinos imprecisos
Com sirenes, gritos e exercícios...

Navegar é preciso
Mas sem o PL é improvável
O PL  combate o primeiro inimigo: a necessidade.
A guerra do PL começa antes,
Permanece  durante e,
Não pode terminar,
A missão do PL é constante...
    
                             Junior Moreira