Conta a lenda que a tempos atrás
Caminhava o solitário Poeta pela estrada da vida. Tinha ele muita estrada pela frente, havia perdido as companhias, mas seguia, triste e só, a fazer poesias. E pela estrada da vida, às vezes ensolarada, seguia. Um belo dia encontrou uma moça linda e sorridente. Solícito, ele então apresentou a moça, suas companhias. Eram as poesias com quem caminhava os quilômetro a escrever. Gentil, a bela e sorridente mulher, elogiou suas poesias. Ele então, cordial e perplexo com a beleza da mulher, descreveu-a em sua poesia. Sensível, a bela mulher, entre o choro e o sorriso da emoção agradeceu-o. E, como seguiam numa mesma direção, o Poeta ofereceu-lhe sua companhia, o que foi prontamente aceita pela bela mulher. Linda e simpatissíssima a bela mulher, na verdade era uma Princesa. Tal fato e, pela longa caminhada, serviu de inspiração para outras tantas poesias. O Poeta, pela bela mulher se apaixonou, e agora seus textos já traziam o seu amor pela Princesa. Diante da estrada sem fim, caminhavam os dois juntos: ele a escrever pra ela; Ela a se encantar por ele. Nessa caminhada o assunto passou a ser o amor: amor pela mesmas coisas, amor por viagem, amor por música, amor pelo humor, amor pela vida, etc, etc, etc...
Um dia, talvez não tão belo, ou nada belo, o Príncipe com quem era casada a Princesa, descobriu uma poesia do Poeta ( ela deixara cair de suas vestes), o Príncipe leu, perguntou de quem era aquela poesia. Ela tão respondeu é do Poeta que conheci na estrada da vida. O Príncipe se zangou e colocou a Princesa de castigo. Ainda zangado, o Príncipe ordenou a seus dois guardiões, os mais confiáveis do Castelo, amigos de infância dele, que cavalgassem pela estrada da vida e desse o seu recado ao poeta. Seu recado era: "jamais tornará a se aproximar da Princesa."
Na manhã chuvosa, os guardiões encontraram o Poeta, abrigado em uma mangueira. Deram-lhe o recado do Príncipe, e rumaram de volta para o Castelo....
Triste o Poeta, chorou, chupou mangas, chorou de novo, discutiu com a mangueira como se estivesse encarando o Príncipe. Cansado, depois de tanto chorar, adormeceu. E só acordou quando o sol já raiara... De posse de algumas mangas seguiu pela estrada da vida. Sem olhar pra trás, seguiu, seguiu e seguiu...
Muito tempo depois, ouviu cavalgadas, se assustou achando que eram os guardiões do Príncipe, mas continuou sem olhar pra trás... Quando de repente ouve a voz da princesa a lhe chamar:
-Poeta!
Ele então olha, se depara com a Princesa e pergunta:
- O que houve? Você não estava de castigo?
Ela responde:
-Meu Poeta, o castigo maior é viver sem suas poesias...
E continuou:
-Suba em meu cavalo! Te levarei adiante!
O Poeta assustado, sobe no cavalo e pergunta:
Mas... E o Príncipe, Linda Princesa?
E ela responde:
-O Príncipe resolveu ser violeiro e saiu pra tocar mundo afora...
E seguiram juntos, A Princesa e o Poeta, ou o Poeta e a Princesa, pela estrada da vida...
E prometeram seguirem juntos pela estrada até que a vida acabe...
Junior Moreira
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