quarta-feira, 8 de abril de 2020

A Princesa e o Poeta ou o Poeta e a Princesa - A Lúdica Poesia Medieval.


Conta a lenda que a tempos atrás
Caminhava o solitário Poeta pela estrada da vida. Tinha ele muita estrada pela frente, havia perdido as companhias, mas seguia, triste e só,  a fazer poesias. E pela estrada da vida, às vezes ensolarada, seguia. Um belo dia encontrou uma moça linda e sorridente. Solícito, ele então apresentou a moça, suas companhias. Eram as poesias com quem caminhava os quilômetro a escrever. Gentil, a bela e sorridente mulher, elogiou suas poesias. Ele então, cordial e perplexo com a beleza da mulher, descreveu-a em sua poesia. Sensível, a bela mulher, entre o choro e o sorriso da emoção agradeceu-o. E, como seguiam numa mesma direção, o Poeta ofereceu-lhe sua companhia, o que foi prontamente aceita pela bela mulher. Linda e simpatissíssima a bela mulher, na verdade era uma Princesa. Tal fato e, pela longa caminhada, serviu de inspiração para outras tantas poesias. O Poeta, pela bela mulher se apaixonou, e agora seus textos já traziam o seu amor pela Princesa.  Diante da estrada sem fim,  caminhavam os dois juntos: ele a escrever pra ela; Ela a se encantar por ele. Nessa caminhada o assunto passou a ser o amor: amor pela mesmas coisas, amor por viagem, amor por música,   amor pelo humor, amor pela vida, etc, etc, etc...
   Um dia, talvez não tão belo, ou nada belo, o Príncipe com quem era casada a Princesa, descobriu uma poesia do Poeta ( ela deixara cair de suas vestes), o Príncipe leu, perguntou de quem era aquela poesia. Ela tão respondeu é do Poeta que conheci na estrada da vida. O Príncipe se zangou e colocou a Princesa de castigo. Ainda zangado, o Príncipe ordenou a seus dois guardiões, os mais confiáveis do Castelo, amigos de infância dele, que cavalgassem pela estrada da vida e desse o seu recado ao poeta. Seu  recado era: "jamais tornará a se aproximar da Princesa."
 Na manhã chuvosa, os guardiões encontraram o Poeta, abrigado em uma mangueira. Deram-lhe o recado do Príncipe,   e rumaram de volta para o Castelo....
      Triste o Poeta, chorou, chupou mangas, chorou de novo, discutiu com a mangueira como se estivesse encarando o Príncipe.  Cansado, depois de tanto chorar, adormeceu. E só acordou quando o sol já raiara... De posse de algumas mangas seguiu pela estrada da vida. Sem olhar pra trás, seguiu, seguiu e seguiu...
Muito tempo depois, ouviu cavalgadas, se assustou achando que eram os guardiões do Príncipe, mas continuou sem olhar pra trás... Quando de repente ouve a voz da princesa a lhe chamar:
-Poeta!
Ele então olha, se depara com a Princesa e pergunta:
- O que houve? Você não estava de castigo?
Ela responde:
-Meu Poeta, o castigo maior é viver sem suas poesias...
E continuou:
-Suba em meu cavalo! Te levarei adiante!
O Poeta  assustado, sobe no cavalo e pergunta:
Mas... E o Príncipe, Linda Princesa?

E ela responde:
-O Príncipe resolveu ser violeiro e saiu pra tocar mundo afora...
                               
E seguiram juntos, A Princesa e o Poeta, ou o Poeta e a Princesa, pela estrada da vida...
E prometeram seguirem juntos pela estrada até que a vida acabe...
                                          Junior Moreira

Basta ter tino...


Não me sinto melhor do que ninguém.
Não me sinto pior do que ninguém. Nessa distância entre o melhor e o pior, reconheço a necessidade de melhorar sempre. Enquanto ser humano que ganha mais um dia de vida, então penso: amanheceu, acordei, estou em uma sala de aula, tenho muito  a aprender, na tentativa de uma avaliação melhor do que o dia, a aula de ontem. A escola?  É a vida. O Diretor dessa escola? É Deus. As avaliações? São cada gestos meus, cada atitude e, sobretudo, cada resultante no final do dia. É a equação entre tudo que fiz, tudo que teve minha aprovação e tudo que precisa de uma nova avaliação por não ter sido aprovado pela minha consciência. Sim, minha consciência é a coordenadora dessa escola chamada vida. A resultante dessa equação é o  equilíbrio, são as  muitas auto-avaliações. Muitas reflexões, sobretudo, antes de qualquer gesto. Quando mais exercito isso, mais vejo a possibilidade de erro, que quando visto antecipadamente, pode ser evitado.
E é por pensar assim, por buscar sempre o equilíbrio que não me plugo em religião,  crendices ou qualquer cegueira ou bitolação.
Há quem goste muito de falar, de orientar,  de aconselhar, mas quem gosta realmente está potencializado para tal, ou pensa que está?  Será que quem se diz pronto pra amostrar os exemplos, realmente vive de forma exemplar? A resultante da vida desses, é de fato um exemplo?  Procuro separar exemplos e referência do oportunismo, as vezes, trata-se de uma linha muito tênue.
                                        Junior Moreira

Um afeto


É um encanto,
Um carinho,
Um afeto,
Que fica um vazio
Se você não está por perto...

Parece que bate a solidão
Mas que solidão,
Se moro só?
Falta algo,
Sim, falta algo pro meu coração...

E pode ser teu cheiro,
Teu olhar
Teu jeito
Teu tom de falar...

O encanto
Torna pranto...

O vazio
Aumenta o cio...

O afeto
Vira agonia...

 O carinho
 Se torna poesia...
                                Junior Moreira

O cheiro da noite


O cheiro da noite me trazia você,
Noite com cheiro
Noite sem você
Um sofrer
Um verdadeiro açoite...

A saudade quase mata
A tecnologia nos aproxima
Nos encosta,
Ouço sua voz, leio seu texto,
Tudo é motivo, tudo é pretexto...

Por aqui você não está
Então me apego ao celular,
Se não está presente,
Eu te falo, você me sente
É virtual,
Mas te conto como estou
Você imagina,  e diz que sente,
Bebemos vinho sem o tilintar
 Queremos apenas ouvir do outro
 O "vou te amar..."

E ouvimos,
E sorrimos,
E sozinhos,
Sentimos o cheiro da noite...
                       
                                 Junior Moreira

Carnaval


Dias de folia
Tempo de ganhar o mundo
Por em prática o verdadeiro:
Ninguém é de ninguém!
O momento derradeiro...

Ah, Carnaval!
Folia do bem e do mal
Do amor de Carnaval
Não vou pra rua
Não. Não irei à folia
Tenho você,
Minha verdadeira alegria!

Não.
Eu não tenho você!
Mas cada lágrima que vi no seu olhar,
Era por mim, Era pra mim,
Então, tenho você sim.
Não só no coração,
Não só você viva em mim
Mas tenho você,
Porque estou vivo em você.
Calado, quietinho,
Mas dentro de você,
Onde só você pode me sentir
Onde ninguém pode me tirar...

Posso o samba atravessar
Posso na passarela
Não desfilar,
Mas sou seu,
Sim, sou dela,
Ninguém vai me calar
Quando o meu amor,
Em forma de samba,
Com lágrimas de amor,
Eu cantar...
                     Junior Moreira

Habitante do meu coração


Não tem um só momento
Que eu não te penso,
Não tem um só instante,
Que minha imaginação,
Não está conversando com você...

Tem momentos
Que lembro e dou um sorriso
Tem momentos que te procuro
 E não te tenho,
Nesses momentos sofro por isso...

Sorrindo,
Feliz,
Tenso
Ou perseguido pela imaginação
Te carrego viva, latente,
Ocupando o meu pensar,
Acompanhando o meu viver,
Enfim,
Você é habitante do meu coração...     

                                      Junior Moreira

Nossa união, na Ilha


Esse ano meu bloco não vai pra rua
Esse ano minha euforia não desfila
Minha fantasia chora procurando a sua...

Minha lágrima sim,
Essa pelo meu rosto desfila
Não tem samba,
Tem choro,
Não tem Pierrot nem arlequim...

A alegria abra alas
Para a melancolia
Portas Bandeiras e Mestres Salas
A chorar,
Pelo desfile da tristeza...

O canto é meu pranto
Passistas e bateristas,
Choram pelos cantos
O enrendo atravessou a harmonia
A alegoria emperrou na avenida...

Esse ano minha Escola chora
Esse ano meu povo chora
A saudade de você,
Que subitamente foi embora...

Ah! Que alegria
Te ter na União da Ilha...

Ah! Que alegria,
Nossa união, na ilha...

                           Junior Moreira

* Quando eu não mais conseguir tocar


Quando eu não mais conseguir tocar
Quando meus dedos por sobre as teclas
Não mais conseguir bailar...

Ah! Que castigo será esse?
Eu, vivo.
Vendo a arte falecer,
Eu, em vida.
Vendo minhas mãos morrer...

As notas mais finas
Minhas lágrimas alcançarão,
Em dueto com o chorar
Do meu silencioso coração...

Ah! Quando eu não mais conseguir tocar...


* Ao Maestro João Carlos Martins.
Enquanto ele se apresentava no programa Altas Horas.
                                 Junior Moreira

Só em te ver pela foto


Num quarto vazio
Distante
Olho para o espelho
Não me vejo,
O vento traz teu cheiro
Deliciante
Meu salivar
Sente o gosto do teu beijo

Perco o foco,
Logo eu,
Tudo por essa mulher
Esse ser apaixonante
Que faz de mim o que quer
Perco o foco
Só em te ver pela foto...

...logo eu!
                       Junior Moreira 
                           Fotógrafo

Carrinho de compras


É uma coisa tão corriqueira
Muitos  evitam,
Sobretudo os homens
Mas é uma ação
Que temos que passar
De qualquer maneira
Temos que fazer compras...

E fazendo compras,
Também se declarar amor,
Empurrando o carrinho,
Um beijo no pescocinho,
Se arrepia,
Se abraça,
Se agarra,
E o carrinho vai enchendo
O tesão também,
A coisa vai crescendo,
Mercado cheio,
Mas esse  casal no clima
Acha que ninguém tá vendo...

Coisas de casal,
Coisas de amor,
Carrinho,
Fila
Muito papo
Muito carinho
Ah! E alguns beijinhos...

Afinal de contas...
De ferro,
Só o carrinho...

                      Junior Moreira

Tô na minha


Tô na minha,
Avaliando minhas ações
Contabilizando minhas decepções...

Tô na minha,
 Sorrindo e envergonhado
 Dos meus atos
 Analisando os fatos...

Tô na minha,
Dividindo meu canto com a solidão
Fazendo da tristeza
A minha inspiração
Transformando a alheia frieza
Em poesia e canção...

Tô na minha,
Quieto,
Como tem que ser o poeta,
Escritor dos sentimentos incertos...

Tô na minha,
Triste,
Como tem que ser o poeta,
Mero personagem de uma vida incerta...
     
                                 Junior Moreira