segunda-feira, 29 de julho de 2019

O Funeral do Poeta

    No meu velório peço para que saiam do "mais do mesmo".  Pelo que  fujam dos clichês:  parece que está dormindo... Falei com ele ontem... Nós não somos nada... Parece que estava se despedindo...

Frases como essas são ditas repetidas vezes em todas as capelas do país.
Não quero isso pra mim.

Sou filho adotivo. Fui abandonado na maternidade. Comecei a trabalhar aos 12 anos Como Office Boy , depois  vendi picolé no trem, vendi picolé na praia, fui servente de pedreiro,  feirante, distribui panfletos,  balconista de armarinho, Palhaço, balconista de fábrica de picolé, churrasqueiro de eventos. Mas tudo isso foi passageiro,  nunca deixei de ser Poeta.

Aos nove anos fui reconhecido, pela primeira vez na vida como  alguém que "escrevia".  Mas também sou muito lembrado pelo meu humor, minhas gaiatices, enfim, minha  jeito de contagiar com a alegria, meu jeito de arrancar um sorriso dos mais próximos.

Desejo para o meu funeral em primeiro lugar,  em volume de som ambiente, de preferência tocando MPB full time; não desejo choro nem os clichês do parágrafo anterior, quero que o papo seja a minha alegria, minhas gaiatices, enfim, tudo que fiz que levei os amigos a sorrirem, enfim a alegria de sempre!


                  Junior Moreira

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