A cidade que me foi apresentada
Um Rio de Janeiro de ônibus com três números na frente, acima do Parábrisa, como se fora um topete. Ônibus com o Capô no interior, criando uma espécie de curral para o motorista. Motoristas que tinham que ter habilidade para saltar sobre o Capô para entrar e sair do seu habitáculo. Motoristas e cobradores, o popular "Trocador", todos devidamente uniformizados de bege, com o lenço preso por clipes na gola. O ônibus que deixavam rastros de fumaça no ar, com seu escapamento voltados para a direção do teto.
O rádio, sensação do momento, a transmitir pela faixa AM, seus programas diários, novelas, jogos de futebol. Na imaginação via os gols de Pelé, Rivelino e o menino com futuro promissor Zico, o franzino Arthurzico.
Crianças brincavam na rua a noite. Pique bandeira, Amarelinha, passar o anel, o mais velhos, brincavam de "pêra, uva ou salada mista?"
Íamos estudar, todos de uniformes. Camisas brancas com emblema da escola Municipal no bolso. E por aí vai...
É assim viveu minha geração, assim passou a vida.
Junior Moreira
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