Os dissabores fecham as torneiras do prazer.
Fechar as torneiras não significa que não haja o que gotejar ou o que jorrar.
Apenas as torneiras estão emperradas por frustrações e decepções.
Talvez gotejasse, talvez jorrasse, talvez inundasse.
Mas a cada decepção, cada mentira, cada desilusão, se incumbiu de esgotar a torneira.
Assim, seca-se o amor, esgota-se a paciência, assim ressecam-se os dutos do prazer e da satisfação.
O que deslumbrava, decepcionou; o que por demais agradava, por demais desagradou...
Ressacada a terra que um dia foi fértil, desloca-se em formato de pedras, barro ressequido. Terra que um dia brotou as águas que chegavam a torneiras. Torneiras, dutos, terras, barro, tudo ressequido...
Junior Moreira
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