Aos apaixonados por músicas é um passaporte ao tempo. O lugarejo respira as sete notas musicais e vive os acordes da Música Popular Brasileira.
Remetidos à história do país, à política do Café, descobrimos que aquele vale longínquo tinha como entretenimento juntos a seus habitantes, a música e, basicamente, como extensão do corpo, a própria viola, símbolo da cidade.
Com suas ruas estreitas e construções de séculos passados, onde cada casa traz uma placa com a música e o compositor da preferência do morador. A terra fria, cercada pela verdejante floresta, preenche bem o tempo daqueles que dispõe estar ali.
Tive o inenarrável prazer de conhecer a Casa do Poeta, seu ilustre morador, Moacyr Sacramento. Que me fez as honras da casa.
Onde pode retribuí-lo deixando registrados os seguintes versos, de improviso no livro do Moa:
Vida, ventos
Bêbados, da música amantes
Nas noites aconchegantes
Escrevendo mais um capítulo da história
Nesse abençoado canto do mundo
Chamado Conservatória...
Quase ao lado da Casa do Poeta, podemos conhecer o SONORA, um mini teatro que volta aos tempos áureos da MPB. Com estrofes nas paredes. Dentre outros, aquele que considero a minha maior identidade poética, Lupicínio Rodrigues. Empolgado, fotografei-o duplamente: a arte e o artista.
Ainda no SONORA, a viagem no tempo continua, através de consagrados músicos com fotos e estrofes pelas paredes. Ali estão Herivélto Martins, Dalva de Oliveira, Nara Leão, Elis Regina, Cartola, entre outros. Máquina de escrever presas a parede, máquinas de tirar retratos, TVs, Gramophone, Rádio-Vitrola e mobília dos anos 50 também estão em exposição.
Na Rua do Meio, a música não pára. O seresteiro ali petrificado, não deixa ninguém parado naquela rua cantante. Ao anoitecer, Como na Era do Rádio, show é ao vivo. Junto com a friagem surgem os seresteiros com as cordas vocais aquecidas. Ali, homens, mulheres e jovens, turistas ou não, acompanha passo a passos e tornam-se uma só voz, em cada canção entoada pelos incansáveis músicos. Aqueles que tem fôlego e disposição os acompanham na gélida madrugada.
O passeio bucólico nos leva à Ponte dos Arcos, historicamente, conhecida por ter sido construída no período da escravatura.
Chegando-se a Serra da Beleza, entendemos o porque desse nome.
De volta ao centro de Conservatória, temos a Locomotiva Maria Fumaça da Rede Mineira de Aviação, na estação ferroviária que foi inaugurada por D. Pedro II em 1883. Em frente a estação, o Fotógrafo Marco Cassilhas aluga trajes típicos e acessórios da época para foto com caracterização daquele século. Dessa vez, a Cantora e o Poeta se transportaram no tempo e, caracterizados, embarcaram nessa foto com direito a malas e a própria locomotiva que os levaria dali para uma viagem. Quem sabe se não seria dos Engenhos de Café à Estação 2015?
As fotos caracterizadas ficarão expostas em nossa casa.
Mas não poderia encerrar essa "viagem" sem mencionar a cordialidade e a simpatia da Sra. Arilda. Além da semelhança com minha própria mãe, fomos recepcionados com muita atenção e carinho. A proprietária da Pousada das Hortênsias, permitiu ainda que eu encerrasse essa viagem em seu Herbie 53.
Ficam os registros de nossas gratidão e admiração por todos aqueles que nos recepcionou calorosamente bem na Cidade da Serenata.
Carinhosamente, Junior Moreira & Claudia Helena
