terça-feira, 18 de agosto de 2015

Conservatória RJ

      Os quilômetros de distâncias a que fica Conservatória - RJ, não exprimem a dimensão exata da viagem que nos leva a chegar naquele lugar.
       Aos apaixonados por músicas é um passaporte ao tempo. O lugarejo respira as sete notas musicais e vive os acordes da Música Popular Brasileira.
        Remetidos à história do país, à política do Café, descobrimos que aquele vale longínquo tinha como entretenimento juntos a seus habitantes, a música e, basicamente, como extensão do corpo, a própria viola, símbolo da cidade.
         Com suas ruas estreitas e construções de séculos passados, onde cada casa traz uma placa com a música e o compositor da preferência do morador. A terra fria, cercada pela verdejante floresta, preenche bem o tempo daqueles que dispõe estar ali.

    
     Tive o inenarrável prazer de conhecer  a Casa do Poeta, seu ilustre morador, Moacyr Sacramento. Que  me fez as honras da casa.

Onde pode retribuí-lo deixando registrados os seguintes versos, de improviso no livro do Moa:
                                              Vida, ventos
                                              Bêbados, da música amantes
                                              Nas noites aconchegantes
                                              Escrevendo mais um capítulo da história
                                              Nesse abençoado canto do mundo
                                              Chamado Conservatória...
    Quase ao lado da Casa do Poeta, podemos conhecer o SONORA, um mini teatro que volta aos tempos áureos da MPB. Com estrofes nas paredes. Dentre outros, aquele que considero a minha maior identidade poética, Lupicínio Rodrigues. Empolgado, fotografei-o duplamente: a arte e o artista.

Ainda no SONORA, a viagem no tempo continua, através de consagrados músicos com fotos e estrofes pelas paredes. Ali estão Herivélto Martins, Dalva de Oliveira, Nara Leão, Elis Regina, Cartola, entre outros. Máquina de escrever presas a parede, máquinas de tirar retratos, TVs, Gramophone, Rádio-Vitrola e mobília dos anos 50 também estão em exposição.






    Na Rua do Meio, a música não pára. O seresteiro ali petrificado, não deixa ninguém parado naquela rua cantante. Ao anoitecer, Como na Era do Rádio, show é ao vivo. Junto com a friagem surgem os seresteiros com as cordas vocais aquecidas. Ali, homens, mulheres e jovens, turistas ou não, acompanha passo a passos e tornam-se uma só voz, em cada canção entoada pelos incansáveis músicos.  Aqueles que tem fôlego e disposição os acompanham na gélida madrugada.



  

O passeio bucólico  nos leva à Ponte dos Arcos, historicamente, conhecida por ter sido construída no período da escravatura.


 Chegando-se a Serra da Beleza, entendemos o porque desse nome.


   De volta ao centro de Conservatória, temos a Locomotiva Maria Fumaça da Rede Mineira de Aviação, na estação ferroviária que foi inaugurada por D. Pedro II em 1883. Em frente a estação, o Fotógrafo Marco Cassilhas aluga trajes típicos e acessórios da época para foto com caracterização daquele século. Dessa vez, a Cantora e o Poeta se transportaram no tempo e, caracterizados, embarcaram nessa foto com direito a malas e a própria locomotiva que os levaria dali para uma viagem. Quem sabe se não seria dos Engenhos de Café à Estação 2015?

                                      As fotos caracterizadas ficarão expostas em nossa casa.
  
 Mas não poderia encerrar essa "viagem" sem mencionar a cordialidade e a simpatia da Sra. Arilda. Além da semelhança com minha própria mãe, fomos recepcionados com muita atenção e carinho. A proprietária da Pousada das  Hortênsias, permitiu ainda que eu encerrasse essa viagem em   seu Herbie 53. 

     
  Ficam os registros de nossas  gratidão e admiração por todos aqueles que nos recepcionou calorosamente bem na Cidade da Serenata. 


                   Carinhosamente,  Junior Moreira & Claudia Helena